Ciência

Biodiversidade amazônica e o que ainda não sabemos

Dra. Luciana Figueiredo Dra. Luciana Figueiredo · Editora científica 2026-05-22 Atualizado: 2026-05-24
Biodiversidade amazônica e o que ainda não sabemos

Estimativas científicas sugerem que a maioria das espécies da Amazônia ainda não foi descrita pela ciência. O que isso significa para a conservação?

Existe uma estatística que sempre me impressiona quando a menciono em palestras: estima-se que entre 70% e 90% das espécies que habitam a Amazônia ainda não foram formalmente descritas pela ciência. Dependendo do grupo taxonômico — fungos, insetos, nematoides —, esse percentual pode ser ainda maior.

Estamos destruindo o que não conhecemos. E não conhecemos a maior parte do que estamos destruindo.

O problema da escala

A Amazônia abriga a maior biodiversidade do planeta em uma área que corresponde a mais de 5% da superfície terrestre. A tarefa de catalogar essa biodiversidade é, literalmente, maior do que a capacidade atual da ciência mundial para realizá-la.

Uma estimativa conservadora sugere que, no ritmo atual de descrição de novas espécies, levaria mais de 500 anos para catalogar toda a biodiversidade amazônica — assumindo que ela permanecesse estável, o que não é o caso. A taxa de desmatamento e degradação ambiental está eliminando espécies antes que a ciência tenha a chance de conhecê-las.

Por que isso importa além da ciência

A biodiversidade amazônica não é apenas um objeto de estudo científico. É um patrimônio com valor econômico, médico e cultural imenso. Estima-se que cerca de 25% dos medicamentos modernos derivam de compostos encontrados em plantas ou animais. Na Amazônia, a maioria dessas plantas e animais ainda não foi estudada.

Cada espécie perdida antes de ser conhecida é uma biblioteca queimada antes de ser lida. Não sabemos o que estamos perdendo — e essa ignorância não é uma desculpa, é um argumento para agir com mais urgência.


Dra. Luciana Figueiredo
Dra. Luciana Figueiredo
Editora científica

Bióloga e jornalista científica. Doutora em ecologia pela UFPA, com pesquisas sobre biodiversidade amazônica. Acredita que a ciência precisa de comunicadores que entendam tanto o laboratório quanto a redação.

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